Seria o Evangelho uma metáfora?

Há pessoas pela internet à fora que interpretam Jesus Cristo como um mero filósofo - um sábio, até talvez místico grandioso, mas não o Filho de Deus. Falam coisas do tipo "Jesus era um judeu normal que pregava coisas certas, mas a Igreja distorceu para torná-lo Deus" ou coisa semelhante.

Essas pessoas que dizem isso não leram nem mesmo um parágrafo do Evangelho mas falam esse tipo de besteira. Afirmam que existiu um Jesus histórico, diferente do Jesus relatado no Novo Testamento, que supostamente ensinaria coisas diferentes pregadas nas Escrituras. Mas dizem isso baseado em quê? Em quais documentos? No primeiro século os únicos textos que falam dEle são os Evangelhos, as Epístolas e o Apocalipse. Aliás, me enganei, existe mais um documento que fala sobre Ele, que é o livro do Flávio Josefo:

Nesse mesmo tempo, apareceu JESUS, que era um homem sábio, se é que
podemos considerá-lo simplesmente um homem, tão admiráveis eram as suas obras. Ele
ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente
por muito judeus, mas também por muitos gentios. Ele era o CRISTO. Os mais ilustres
dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o
crucificassem. Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram depois da
morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas
haviam predito, dizendo também que ele faria muitos outros milagres. É dele que os
cristãos, os quais vemos ainda hoje, tiraram o seu nome.

Dizem que o texto foi alterado (e faz sentido, já que ele era judeu, não seria muito lógico ele considerar Jesus como o Cristo de Deus que ressuscitou dos mortos), mas ele cita, com adulteração ou não. Então fica bem claro aí que Ele não veio ensinar uma filosofia que se perdeu na História, mas pregar o que é dito em todo o Novo Testamento.

E o que é dito no Novo Testamento? É metáfora?

Não! O que há de metafórico nos textos que falam que a tumba foi achada vazia? De fato, os textos da crucificação e da ressurreição (juntamente com a primeira multiplicação de pães e peixes, se bem me lembro) são as únicas passagens que aparecem simultaneamente nos quatro Evangelhos. Por quê? Por que é tão importante falar que Jesus morreu e ressuscitou? Porque é por causa desse evento que temos nova vida nEle, e desde a época da Igreja Primitiva que isso é pregado, como é mostrado em todas as epístolas, mas que destaco uma passagem da primeira Carta aos Coríntios, no capítulo 1:

21. Visto como,na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. 
22. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
23. mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalos para os judeus e loucura para os gregos.

Está aí, o Apóstolo Paulo falando que o que a Igreja sempre pregou desde o início foi a crucificação e a ressurreição de Cristo, que é algo absurdo tanto para judeus quanto para gentios. Como pode? Um homem ter ressuscitado dos mortos? E esse homem era Deus? E Deus morreu? Não pode. Mas é isso o que a Igreja prega.

O surgimento do Cristianismo é algo que desafia a compreensão humana, pois... Bem, o que ele prega? Prega a renúncia do homem, a supremacia de Deus sobre tudo, Deus este que é manifesto em três pessoas, sendo que uma delas nasce de uma virgem para morrer e ressuscitar (pois é assim que nossos pecados são perdoados) e que outra nos dá dons celestiais e nos convence de que somos pecadores, o amor ao próximo, mesmo àqueles que vão te matar... Esse Cristianismo não te dá nenhuma garantia de vida boa na Terra, dá justamente a garantia contrária. Mesmo assim, essa Doutrina se espalhou, milhares de documentos foram escritos, mesmo com a perseguição simultânea dos judeus e do Império Romano. E a mensagem do Evangelho perdura até hoje, mais de 20 séculos após Cristo ter caminhado sobre a Terra. Isso só pode ter sido obra do Deus altíssimo. Nunca que um homem comum filho de carpinteiro poderia ter exercido tamanha influência na História da humanidade.

Concluindo, é muito óbvio que o Jesus histórico e o Jesus dos Evangelhos são, na realidade, o mesmo homem, e muito mais do que um homem, mas o Verbo encarnado. Agora, se você vê o Novo Testamento como um documento autêntico, é de sua escolha. Se você não crê em Cristo, não é homem nenhum que convence, mas o Espírito Santo unicamente. 

Que Jesus lhe abençoe!

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