Unidade mística

"Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também."

(I Coríntios 12:12)

Uma coisa que me fascinava nas religiões orientais - e que fascina a tantos jovens de nosso ocidente pós-moderno - era este conceito de "Tudo é Um". A consciência coletiva, o panteísmo, todos sermos um, pois todos possuímos essência divina e, sendo assim, todos somos Deus. Confesso que entendo pouco deste assunto - mas os ocidentais também entendem pouco e, ainda assim, vivem uma espiritualidade esquisita e altamente sincrética. 

Dito isso, é triste como ignoram um conceito bem parecido que existe na Bíblia! Sim, a Bíblia fala de uma unidade mística, uma união extraordinária e incompreensível para as mentes humanas, uma união espetacular!

No entanto, façamos ressalvas: Essa unidade não é idêntica à unidade pregada pela espiritualidade contemporânea.

Bom, por onde começar a falar desse assunto?

Primeiramente, falemos do que é essa unidade: Trata-se da união mística de Deus com as suas criaturas, as quais também estão unidas entre si. No entanto, essa união não abrange todo o universo, como seria no panteísmo. Deus aqui é Deus, e as suas criaturas são suas criaturas, não uma parte dEle (o que é até esquisito de dizer, visto que não dá para dividir Deus, não podemos falar de uma "parte de Deus"). Não são todas as criaturas que partilham dessa união - trata-se de uma união exclusiva àqueles que se converteram a Ele. Só que essa conversão não se trata de um mero aderimento a uma crença, semelhante a se tornar membro de um partido político, de um grupo da faculdade ou coisa semelhante, mas de uma mudança radical da qual tanto o próprio Deus quanto a pessoa que se converte tomam ação ativa. Tendo a pessoa se convertido, ela se torna "um" com Deus, e também com as outras pessoas que se converteram, as quais são chamadas de "Filhos de Deus".

Confuso? Sim, muito, mas não para por aí.

Muitos que aderem à essa espiritualidade contemporânea (que, eu sei, é um termo genérico, mas estou usando por conveniência) tendem a dizer que não existe um mundo transcendente, isto é, que o mundo que vemos é tudo o que há. Quando morremos, não cessamos de existir pois somente voltamos à consciência coletiva ao passo que a consciência individual se inativa.

Nós, cristãos, cremos diferentemente. Não cremos que esse mundo é tudo o que há, pois, afinal, foi criado por um Deus que habita fora do mundo, fora do espaço e fora até do tempo. Além disso, a união que possuímos com Deus e com todos os seus filhos não possui uma consciência coletiva. Na verdade, até tem algo semelhante: O Espírito Santo, que habita nos filhos de Deus, guiando-lhes em suas ações e promovendo seu crescimento.

No entanto, o Espírito Santo não despreza a personalidade daqueles em quem Ele habita. Cada um dos crentes em Jesus ainda é um indivíduo, com todas as suas diferenças. Ainda somos quem somos. De alguma forma, no entanto, apesar de todas as diferenças que existe na Igreja de Cristo, existe essa união poderosa.

E, eu não sei quanto a vocês, mas para mim é muito mais interessante esta união dinâmica do que essa tediosa unidade em que eu morro e fico sendo poeira cósmica para o resto da eternidade.

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